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Entrevista

2007-10-31

ENTREVISTA COM DR. JODY JAKOB

 

G.E.D.O.P – Pode dizer-nos qual é a sua nacionalidade? Na comunidade osteopática portuguesa nem todos sabem qual a sua verdadeira nacionalidade. Uns dizem que é inglês, outros dizem que é americano.

Dr. Jody Jakob – Sou americano, nascido e criado em Nova Iorque. Aos 22 anos fui para Londres onde fiz o curso de Osteopatia e daí talvez essa confusão.

 

G.E.D.O.P – Como surgiu então o interesse pela Osteopatia? Porque não se formou na América?

J.J – Não me formei Osteopata na América, mas fiz o meu curso de Pré-Medicina no Marist College, em Nova Iorque. Depois, concluí uma Pós-Graduação em Psicologia e dediquei-me a uma terapia que se chama Bio-Energético; é uma forma de Psicanálise que olha o corpo humano à procura de emoções bloqueadas que podem levar à doença. Esta técnica despertou-me grande interesse em aprender mais sobre o corpo humano. Decidi, então, que a Osteopatia era o melhor caminho a seguir. Não me formei na América porque sabia que em Inglaterra havia os melhores cursos de Osteopatia a nível mundial.

 

G.E.D.O.P – Quando e onde se formou?

J.J – Fui para Inglaterra no ano de 1974. Terminei a minha graduação como Osteopata em 1979 na British School of Osteopathy que, na altura, era indiscutivelmente a melhor escola a leccionar Osteopatia no mundo.

 

G.E.D.O.P -  Depois regressou aos Estados Unidos ou permaneceu em Inglaterra?

J.J. – Fiquei durante alguns anos em Inglaterra. Comecei a trabalhar em consultórios privados como assistente de osteopatas conceituados em Londres. Depois, comecei a leccionar técnica osteopática numa Escola de Osteopatia e a realizar seminários para médicos recém-formados que queriam aprender Osteopatia.

 

G.E.D.O.P. – Foi então que veio para Portugal? Já agora, porquê Portugal e não um outro país qualquer?

J.J. -  É uma pergunta engraçada! Eu e a minha família estávamos saturados de Londres, especialmente devido ao clima. Como disse, sou nova-iorquino e estava habituado ao clima quente e ao mar, o que não existia em Londres. No entanto, queríamos permanecer na Europa e Portugal era um país de que gostávamos muito pois já tínhamos passado férias no Algarve e alguns amigos falavam muito bem do país. Como sol e praia é coisa que não falta, escolhemos vir para Portugal.

 

G.E.D.O.P - Como foram então os primeiros tempos? Difíceis?

J.J. – Sim, bastante difíceis. País novo, não falava português mas, especialmente, porque ninguém sabia o que era a Osteopatia. Felizmente, consegui arranjar um espaço para trabalhar no Estoril. Nos primeiros tempos os meus clientes eram todos ingleses.

 

 G.E.D.O.P - Há quantos anos já exerce Osteopatia em Portugal?

J.J. -  Há cerca de 22 anos que vivo e trabalho na área de Cascais – Lisboa - Sintra. Trabalhei em inúmeras clínicas médicas mas agora trabalho exclusivamente para mim, na minha clínica em Cascais, que se chama Saúde Integral. Tenho feito grande parte da clínica privada com osteopatas recém-formada, integrando-os assim no ambiente clínico.

 

G.E.D.O.P - Como tem sido a sua relação profissional com os outros osteopatas e profissionais de saúde ao longo do tempo?

J.J. – Honestamente, considero ter uma mente aberta quando me encontro com outros colegas e não tenho problemas em falar com quem se auto-intitula osteopata mas que, na realidade, não tem formação porque, simplesmente, a culpa não é deles. Existem muitos osteopatas com “fome” de conhecimento, e eu tento partilhar a minha sabedoria e experiência com eles.

            O meu relacionamento com outros profissionais de saúde é muito bom. Recebo muitos pacientes indicados por médicos (especialmente seus familiares) de várias especialidades. Também encaminho os meus pacientes para médicos quando encontro algum problema (como cardíacos ou circulatórios por exemplo) e quando tenho necessidade de uma segunda opinião. É essencial que os osteopatas consigam diagnosticar problemas médicos e que os encaminham para o médico especialista. É por isto que os meus pacientes e médicos confiam em mim.

 

GEDOP – Nesse seu trabalho com osteopatas recém formados, qual é a mensagem mais importante que lhes transmite?

J.J. - A minha maior preocupação é que o osteopata transmita segurança aos seus pacientes e por isso exijo elevados padrões profissionais. Tenho esperança que em breve a profissão osteopática esteja regulamentada em Portugal para que tenhamos apenas profissionais perfeitamente qualificados a exercer a profissão.

 

GEDOP – Já que fala neste assunto tão delicado para todos nós, o Dr. Augusto Henriques está a frente do processo de regulamentação. O que tem a dizer sobre o seu trabalho?

J.J – O Dr. Augusto Henriques é a pessoa que mais faz pela Osteopatia  em Portugal. É incansável e há mais de 20 anos que luta pela reconhecimento legal da Osteopatia. Perde grande parte do seu tempo livre, à espera para falar com Ministros do Governo, em especial, com o Ministro da Saúde. Vai a imensas conferências mundiais, para trazer para Portugal as noticias e informações recentes da Osteopatia mundial.

            Ele exige os mais altos padrões para a profissão porque não quer osteopatas de "segunda". Este grande País e o povo português merecem o melhor, e portanto temos que ter a verdadeira excelência da Osteopatia.

            Ele insiste, para que a Osteopatia, deva ser autónoma e auto reguladora. Ou seja, luta para que na nova legislação os osteopatas, possam, diagnosticar e tratar, sem estarem sobre ordens dos médicos, mas sim trabalharem com eles, como parceiros de saúde. Isto porque nós não seguimos protocolos, mas sim diagnosticamos e tratamos as pessoas como um todo, de acordo com os nossos princípios. Regulamentação própria vai fazer com que isto seja uma realidade.

 

GEDOP - Na sua opinião quais os maiores obstáculos para a conclusão deste processo?

J.J.– O maior obstáculo são os próprios osteopatas!!!!!! Existem 12 organizações diferentes que representam a Osteopatia em Portugal, e cada uma diz que “é a melhor”. Enquanto os osteopatas não pararem de lutar entre si e não colocarem as suas diferenças de lado não iremos a lado nenhum.

            A profissão médica não é o problema para a regulamentação. Eles apenas querem segurança para os pacientes e exigentes padrões profissionais. Se estivermos todos unidos, se demonstrarmos ao Governo que temos capacidades para nos regulamentar, que somos seguros e competentes na nossa profissão, seremos rapidamente aceites e reconhecidos.

 

GEDOP – Então, para si o processo de regulamentação é primordial para o desenvolvimento da profissão?

J.J. – É importante mas não é primordial. Para mim o primordial é seguirmos o mesmo percurso dos Ingleses no seu processo de regulamentação. Eles fizeram o que chama P.P.P., Professional Profile and Portfolio. Houve uma comissão que desenvolveu um portfólio com o intuito de avaliar as competências de todos os osteopatas.

Todos, sem nenhuma excepção, tiveram que passar por este processo. Quem reprovou, não ficou, no entanto, sem exercer. Foram criados métodos de ensino para desenvolver competências e capacidades nos osteopatas que revelaram falta de conhecimentos. Assim, todos os profissionais passaram pelo mesmo teste de competências e provaram poder exercer Osteopatia. Além disso, este P.P.P. credibilizou a profissão. Este seria o procedimento ideal para a Osteopatia Portuguesa.

 

GEDOP – Quais são os seus futuros planos?

J.J. – Trabalhar o melhor que posso para ajudar os meus pacientes. Continuar a ensinar a Osteopatia a quem precisar e tentar aprender cada vez mais. Para este fim, irei a uma Conferência de Osteopatia que se vai realizar no mês de Fevereiro, em Londres, com duração de 3 dias. Espero trazer imenso material para melhorar a minha prática clínica, para assim ajudar os meus doentes e poder partilhar com os meus colegas.

 

GEDOP – Algum comentário final?

J.J. – Quero agradecer a entrevista e desejar votos de um bom trabalho. É sempre para mim uma enorme satisfação conviver com outros osteopatas e poder participar em iniciativas deste género.

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English Interview

How did you get started in osteopathy?

I was treated in New York City by a Chiropractor with a great result. I moved to London and they did not have a Chiropractor school so I found my way to the BSO on Buckingham Gate. A Yankee in King Arthur's Court so to speak. I can still remember fondly having lunch in St. James Park and studying the various gaits of the girls going by.....for stickily professional study of course!

What inspired you?

Wanted to be a Catholic priest!!! When puberty hit that one was a goner. After University Osteopathy seemed to be the splendid mix of intellect, heart and soul together with doing something physical

How did you continue learning?

- books, courses, mentor, patients, etc The most important aspect of CPD is the stimulation and motivation of my patients. And through their problems the thirst to know more. That includes, physically, emotionally and spiritually. Every year I will read a number of books and magazines related to my work, attend courses when they interest me, seek out and question models of excellence ---mentors---

What is essential to keep on?

Motivation....to remain excited and interested throughout the years of practice. I am sure I am even more enthusiastic now 27 years after qualifying than when I first started out on this journey.

How to do that???

Be sincerely interested in people, curious about what you find and take care of yourself with the basics. Exercise, eat well, enjoy life, time for relaxation. If you do not take care of yourself you cannot give your best to others

What would you advise to people at different stages of osteopathy?

Never stop questioning what you find. Never think you have made it and whatever great cures you happen to be a part of do not believe the publicity (good for practice building) of being a miracle worker!!

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My first time

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